Garota teria acusado pai falsamente por não ter sido autorizada a namorar; polícia seguirá investigando, mas confirmou contradições no depoimento e ausência de provas

O comerciante de 47 anos que foi preso em flagrante na segunda-feira (31), suspeito de abusar sexualmente da filha de 14 anos, no bairro Cruzeiro do Sul, em Betim, na região metropolitana de BH, foi liberado pela polícia nesta terça-feira (1°), após as investigações iniciais apontarem inconsistência e contradições no depoimento da vítima.

Na denúncia, que partiu da própria menina, ela afirmou que estava sendo coagida pelo pai a manter relações sexuais com ele e sendo obrigada a trabalhar em um bar da família desde os 12 anos.

À polícia, a vítima contou que, no início desta semana, o pai teria passado a mão em seus seios e, ao se negar a fazer sexo, ele teria pegado um garfo na cozinha, esquentado no fogão e queimado uma das nádegas da filha. Segundo ela, as agressões eram constantes e envolviam tapas no rosto e puxões no cabelo. A mãe da vítima informou que não sabia de nada antes da denúncia da filha.

De acordo com o advogado criminalista, Mateus Henrique Ferreira, que fez a defesa do homem, a menina foi encaminhada para o hospital para fazer todos os exames, inclusive o de corpo de delito, que não constatou o abuso e, em seguida, foi ouvida na delegacia. “O delegado começou a desconfiar quando ela e o namorado, de 18 anos, disseram ter provas como imagens e conversas no celular, mas nada foi encontrado no aparelho. Em alguns momentos ela entrou em contradição ao relatar os fatos, e o namorado acabou confessando que já tinha inclusive juntado cerca de R$ 6.000 para fugirem juntos”, ressaltou.

A suspeita é que a atitude da adolescente tenha sido motivada pelo fato de o pai não a ter deixado namorar. “Ela pediu para iniciar um relacionamento, e o pai disse que ela ainda estava muito nova e que voltariam a ter essa conversa quando fizesse 15 anos. Porém, ela não acatou a ordem do pai e começou a namorar escondido da família há alguns meses. Acreditamos que ela tenha elaborado tudo isso porque queria ter mais liberdade para estar com o rapaz e, como o pai é muito rígido, imaginou que, com ele preso, seria mais fácil conseguir isso”, pontuou.

Quanto ao machucado nas nádegas, que teria sido feito com um garfo, foi confirmado que a marca que estava na pele da menina era decorrente de uma micose.

Já sobre a alegação de que o pai a obrigava a trabalhar em um bar da família desde os 12 anos, o advogado afirmou que não se tratava de trabalho infantil. “Como é comum na maioria das famílias, os pais pediam que ela ajudasse nos cuidados com a casa e também no empreendimento, mas não era uma obrigação, tanto que ela estudava, tinha amigos e uma vida social normal para a idade dela”, afirmou.

A delegada responsável pela Delegacia da Mulher de Betim, Ariadne Elloise Coelho, confirmou a liberação do comerciante, que não tem nenhuma outra passagem na polícia. “Abrimos inquérito para apurar melhor os fatos, mas realmente houve muita contradição e inconsistência no relato dela, além de não haver nenhuma prova que confirme a denúncia. Recolhemos o celular dela, que será periciado, e vamos ouvir todos os envolvidos novamente, mas não tinha nada que justificasse a manutenção da prisão do suspeito”, disse.

A delegada ainda ressalta que é importante ter muito cuidado com a divulgação desse tipo de caso. “É preciso investigar muito bem antes de soltar esse tipo de notícia, uma vez que pode devastar a vida de quem está sendo acusado. Ainda que a pessoa consiga provar que não cometeu o crime, as marcas que uma denúncia dessa podem deixar são irreparáveis”, destacou.

A garota, que está agora sob os cuidados de um irmão mais velho, será acompanhada pelo Conselho Tutelar e iniciará um acompanhamento psicológico nos próximos dias.

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