A vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) deve custar cinco vezes menos que as demais e pode ser usada para quem eventualmente ainda não tenha sido imunizado e também como reforço anual. O desenvolvimento do composto está na fase 1, de testes em animais, e a previsão é que ela esteja pronta para produção no final de 2022.

Segundo o professor e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Ricardo Gazzinelli, o preço médio das vacinas hoje que chegam ao Brasil é de R$ 60. O imunizante mineiro, por sua vez, deve custar R$ 12.

“Hoje, o Brasil gasta um volume enorme de recursos para importar tecnologia e vacina. A produção aqui significa disponibilidade, porque sabemos que a procura é alta no mundo todo, estamos vendo a corrida pelo IFA (insumo mais importante para a produção da Coronavac). Uma vacina produzida aqui, além do menor custo, será produzida para pronta entrega”, pontuou Gazzinelli.

Desenvolvimento. A Prefeitura de Belo Horizonte assinou nesta quinta-feira (27) convênio com a UFMG que prevê o repasse de R$ 30 milhões para a criação da vacina – o Executivo não exigiu contrapartida da universidade.

O recurso deve ser usado nesta e na próxima etapas, de testes em humanos, que ainda precisa de autorização da Anvisa. A terceira fase, de testes em massa, que deve custar cerca de R$ 300 milhões, ainda não tem recurso garantido.
“Ainda não temos a sinalização de onde esse recurso virá, como será financiado. Pode ser do Ministério de Ciência e Tecnologia ou de outros entes da federação, ou mesmo do setor privado. Estamos buscando os parceiros”, destaca a professora Ana Paula Fernandes, do CTVacinas da UFMG.

Segundo Ana Paula, a vacina poderá ser produzida pelo Butantan, por Manguinhos, pela Funed ou por empresas privadas.

‘Pequena ajuda’. O prefeito Alexandre Kalil, ressaltou, que uma eventual imunização anual tem sido ‘esquecida’ pelos governantes.

“É um assunto que ninguém está notando, mas a vacina para a Covid será uma vacina anual, como a influenza. Estão achando que vamos ter uma vacinação só e acabou o assunto”, disse.

Ele também elogiou a universidade, criticou os cortes orçamentários das universidades feitos pelo governo federal e pediu ajuda de outros entes da federação para financiar o desenvolvimento da vacina. “A ajuda é pequena, porque é de uma prefeitura”, declarou.

Fonte e foto: O Tempo/Ilustração.

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