Serão doados aparelhos com condições de uso e sem relação com investigações

Celulares apreendidos em estabelecimentos prisionais de Minas Gerais passarão a ser doados a secretarias municipais de ensino do estado, para distribuição a alunos e professores carentes. A iniciativa é do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF) do TJMG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais).

De acordo com o TJMG, não serão destinados os aparelhos que contenham dados relevantes às investigações ou processos aos quais estão relacionados, e objetos sem condições de uso também serão descartados. A ideia é facilitar o acesso dos estudantes e dos educadores à internet, para que eles possam realizar suas atividades escolares, principalmente em meio ao ensino remoto.

“A ideia de direcionar esses materiais apreendidos – celulares e smartphones – para alunos da rede pública de ensino foi muito interessante, porque eles frequentemente têm limitações de recursos tecnológicos. É mais uma forma que o Judiciário encontrou de fazer reverter em prol da sociedade os produtos e instrumentos de crime”, afirmou o supervisor do GMF, desembargador Júlio Cezar Guttierrez Vieira Baptista.

Segundo ele, a idealização do projeto partiu do juiz da Vara de Execuções Criminais (VEC) de Contagem e integrante do GMF, Wagner de Oliveira Cavalieri, e teve voto favorável de todos os outros magistrados.

Fluxo

O fluxo para viabilizar a destinação dos aparelhos também foi integralmente aprovado. Ficou definido que, havendo a apreensão de telefones nas unidades prisionais, será instaurado um procedimento para destruição dos equipamentos imprestáveis e doação dos úteis.

Nessa etapa, uma triagem vai separar os equipamentos sem interesse para eventuais investigações e, dentre eles, selecionar aqueles que estejam em bom funcionamento ou que possuam apenas pequenos danos. Os aparelhos serão encaminhados a profissionais especializados em formatação e reparação de dispositivos de telefonia móvel. Se houver necessidade de conserto, o serviço será custeado por verbas de prestação pecuniária.

Para isso, os magistrados das varas com competência para execução penal deverão instaurar procedimento para utilização dos recursos financeiros, geridos pelo GMF. Concluídos esses passos, será assinado o termo de doação e entrega dos aparelhos aos órgãos destinatários.

Inclusão

O juiz Wagner Cavalieri explica que propôs que o direcionamento dos objetos à comunidade escolar, porque, com a crise sanitária provocada pela pandemia de Covid-19 e a necessidade de isolamento social, o ensino passou a ser ministrado preferencialmente à distância, por meio de tecnologia à qual nem todos tinham acesso.

Ele conta que tomou conhecimento que a Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte enfrentava dificuldade na inclusão dos alunos mais carentes nas aulas online, devido à falta de equipamentos: “Coincidentemente, tramitava na VEC de Contagem um procedimento visando à destruição de mais de 900 aparelhos. Foi aí que pensamos em verificar quais estariam em boas condições de uso, para serem doados ao sistema de educação, a fim de que eles pudessem servir aos alunos”.

Ainda segundo o juiz, a equipe recebeu a sugestão com entusiasmo e se prontificou a trabalhar na triagem dos equipamentos e na limpeza. O grupo separou objetos que poderiam ser doados, ainda que exigindo pequenos reparos. Diante disso, algumas empresas foram consultadas. Uma delas foi selecionada e se dispôs a assumir o serviço, que incluía a formatação para retirada dos dados e conteúdos existentes da memória do equipamento.

“A empresa compreendeu o espírito do projeto e fez um excelente trabalho. Os aparelhos ficaram ótimos e pudemos doá-los a alunos de escolas municipais da capital”, completou o magistrado.

Fonte: Bhaz. Foto: TJMG/Divulgação.

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