Era do golpe’: estelionato se consolida como principal crime em Minas Gerais

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Prática migrou para o digital e ganhou ainda mais força, superando até mesmo os roubos praticados no Estado; confira dicas para evitar ser mais uma vítima

Golpe do motoboy, invasão de contas de Instagram, WhastApp clonado… A infinidade de modalidades assumidas pelo crime de estelionato mostra que a criatividade dos criminosos não tem limite. Com tanta variedade, os dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) apontam que o aumento de casos nos últimos anos ajudou a consolidar o estelionato como o crime mais comum em Minas Gerais, superando até mesmo os roubos. De 2020 para 2021, o aumento nos registros desse crime foi de quase 20%.

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Em 2022, a tendência de aumento se manteve com quase 333 crimes de estelionato registrados por dia em Minas Gerais (39.736 ocorrências entre janeiro e abril). Muitas dessas vítimas são orientadas a procurar o Departamento Estadual em Investigação de Fraudes (DEF) da Polícia Civil, localizado no bairro Santa Efigênia, na região Centro-Sul.

Logo na recepção do departamento, que estava lotada, a reportagem encontrou o autônomo Ricardo Dias, de 43 anos, e a esposa dele, a secretária Eulene Dias, de 40. Desesperados, eles tentavam avisar às autoridades que havia alguém se passando por Eulene no WhatsApp. Prejuízos estavam sendo causados para amigos e conhecidos.

“Hackearam a conta da minha esposa e mandaram mensagens para os nossos contatos. Não sei como fizeram isso, mas conseguiram enganar o pai e o irmão dela, que transferiram R$ 500 para esses bandidos”, conta Ricardo.

Ponto de virada: a pandemia
Segundo os dados da pasta, para cada roubo praticado em Minas Gerais em 2021, foram ao menos quatro crimes de estelionato (104.278 estelionatos para 26.882 roubos). O “ponto de virada” foi em 2020 – primeiro ano da pandemia do coronavírus, em que o uso da internet foi ampliado devido às restrições de circulação.

No último andar do prédio da Polícia Civil, o titular 1ª Delegacia Especializada em Investigação de Crime Cibernético, o delegado Ângelo Ramalho, recebeu a reportagem de O Tempo. Em meio a uma pilha incontável de inquéritos, Ramalho explica que a criatividade empregada nesses golpes surpreende até quem já se acostumou a trabalhar com o assunto.

“A cada dia temos um novo golpe que, por menos sofisticado que seja, envolve um tipo de engenharia social que engana muita gente. Recentemente tivemos o golpe do IPTU falso, em que conseguimos agir rápido, mas muitas vezes esses casos demoram a ser denunciados”, diz.

No episódio do IPTU falso, o site da prefeitura de Belo Horizonte foi clonado, e quem buscasse por “IPTU 2022 BH” e termos similares no Google era direcionado para um site clonado, no qual o estelionatário conseguia copiar a guia do imposto e apenas alterava o código de barras. Na hora de pagar, a vítima transferia o dinheiro para a conta do bandido. Apenas uma vítima desse crime registrou o caso na polícia. O prejuízo dela foi de R$ 3.260.

Perfil
Diferentemente do roubo, o estelionato – principalmente o praticado pela internet – não conhece limites físicos. Pode ser cometido por criminosos de diferentes Estados ou até países. De acordo com a Polícia Civil, na maioria dos casos, os estelionatários agem longe de seus domicílios, e a forma de agir, em alguns casos, é orientada por hackers experientes.

“Existe um perfil entre esses grupos. Temos aqueles que são mais capacitados e que vendem essa tecnologia e base de dados para os menos capacitados, que operam o golpe”, revela o delegado Ângelo Ramalho.

Conforme o delegado, na base da maioria dos esquemas desmantelados até hoje estão velhos conhecidos do mundo do crime, com passagens por recorrentes por estelionato, roubo e tráfico.

Esse contato entre criminosos que detêm o conhecimento “técnico” e os que conduzem a parte “operacional” do golpe é feito por meio da deep web, na qual bancos de dados vazados, fórmulas de golpe e uma infinidade de modos de agir estão à venda. O espaço é monitorado pela Polícia Civil e também pela Polícia Federal.

Usuário deve fazer a sua parte
Engenheira de software e diretora da empresa Most Specialist Technologies, Cristina Diez acredita que grande parte do problema envolvendo a explosão de golpes na internet seja a inexperiência do próprio usuário. “Eu acredito que muitos desses casos acontecem por falta de informação e pela inocência das pessoas. Por mais que as instituições financeiras não peçam informações sobre senha ou orientem sobre possíveis golpes, as pessoas continuam caindo”, explica.

Para o delegado Ângelo Ramalho, o usuário deve sempre ter um “pé atrás” ao lidar com algumas informações que aparecem na internet. “Desconfie. Ninguém vai te oferecer nada na internet. Sempre que algo do tipo acontecer, fique atento e sempre leia com atenção o que está sendo proposto. Se parecer minimamente suspeito, caia fora”, recomenda.

Fonte: O TEMPO

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