LB Reciclagem - Empresa gera empregos e compra de catadores de Capelinha e região.

Mais de 50 famílias trabalham com recicláveis em Capelinha. Segmento segue aquecido e em crescimento.

Hélio Souza – Repórter

Às cinco horas da manhã, enquanto a maioria de nós está dormindo, o eletricista Dilson Cordeiro está nas ruas de Capelinha à procura de material reciclável.

Com duas horas de trabalho, sua função precisa ser paralisada para cumprir a carga horária como funcionário público do município de Capelinha.

Cumprido a primeira parte do dia, às 11h é hora do almoço, momento em que ele aproveita para ir em oficinas mecânicas em busca de sucata, alumínio, cobre, ou qualquer outro material reciclável.

A terceira parte do seu trabalho acontece após às 17h, quando Dilson recolhe mais material para somar ao já conquistado antes.

A vida de catadores recicláveis parece difícil e complicada, e isto é verdade. Mas, ao apurarmos esta reportagem descobrimos que é uma fonte de renda bem lucrativa para dezenas de capelinhenses que se dedicam a esta função.

“Ao meu ver isso é uma mina, conheço pessoas que conseguiram construir casa e se estabilizar na vida trabalhando com recicláveis”, comentou Dilson.

Dilsinho, como gosta de ser chamado, conta que começou catando recicláveis como forma de sustento, já que ficou um tempo sem trabalhar como servidor público. Hoje, mesmo retornando à função de eletricista em um cargo efetivo, ele não deixa de se dedicar a sua segunda fonte de renda, que considera bem lucrativa.

“Aqui, trabalhando com recicláveis nas horas vagas, eu consigo ter sempre dinheiro no bolso complementando minha renda”.

Mais de 50 famílias trabalhando

Segundo o empresário Laerte Barrinha, que há 20 anos trabalha comprando e vendendo recicláveis, cerca de 50 famílias em Capelinha tiram seu sustento através dos materiais recicláveis.

Carga de papelão já prensada para transporte na LB Reciclagem

Dono da empresa LB Reciclagem, Laerte chega gerar até 8 empregos com o depósito de material reciclável. “Eu tenho aqui três funcionários fixos e outros cinco trabalham comigo alguns dias da semana ajudando no carregamento dos caminhões e carretas que são enviados para fora”.

“Toda semana a gente manda cerca de 80 toneladas de material reciclável para João Monlevade, Belo Horizonte e Juiz de Fora. Eu sempre digo que aquilo que muita gente chama de lixo outros transformam em dinheiro”, comentou Laerte Barrinha.

Além de comprar de catadores da cidade, o depósito LB Reciclagem se tornou referência regional e recebe material da região onde enviam para fora. “O pessoal de Turmalina, Itamarandiba, Novo Cruzeiro traz o material para cá. Eu tiro a nota fiscal e o imposto fica aqui em Capelinha”, explicou ele.

De Capelinha para onde o material é enviado, a empresa logística transportes é quem faz o trabalho. Enquanto conversávamos com Laerte, uma carreta da empresa era carregada de sucata com destino a Juiz de Fora.

Marçal de Paula trabalha no transporte de recicláveis

O motorista, Marçal de Paula, de 62 anos, contou que há 3 anos trabalha com transporte de materiais recicláveis.

Em Capelinha, Marçal vem 3 vezes por semana para transportar os materiais seja para João Monlevade, seja para Juiz de Fora.

Falta conscientização e apoio

Mesmo retirando muito material das ruas da cidade, Tanto Laerte, como Dilsinho, acreditam que parte do material ainda é descartado de forma inadequada. “Eu acredito que se a população ajudar e se conscientizar, nós vamos conseguir retirar muito mais material reciclável das ruas e garantir o sustento de mais famílias Capelinhenses”, destacou Laerte.

Já para Dilsinho, o poder público deveria buscar formas de ajudar. “Eu acredito que se o município buscasse dar um apoio necessário e contínuo, iríamos gerar mais oportunidade de trabalho e garantir renda para muitas pessoas”, disse.

Ações do Município

Em 2019, através de uma gincana educativa realizada pela Prefeitura, foi recolhido e entregue 20 mil itens de plástico, papel, garrafas pet e latinhas a integrantes da Associação de Catadores de Material Reciclável de Capelinha (ACAMARC).

Os produtos foram arrecadados através da gincana educativa realizada em parceria com as escolas Dr. Juscelino Barbosa (estadual) e Professora Luíza de Marilac (Vista Alegre).

Os catadores comercializaram os itens recebidos, gerando assim renda a diversas famílias. O município doou também uniformes aos integrantes da ACAMARC.

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